O juízo divino na vida do cristão
TEXTO BASE: Ec 11.9,10
INTRODUÇÃO. O sábio Salomão fez uma série de recomendações
aos mais jovens: “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e alegre-se o teu coração nos dias
da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus
olhos...” (Ec 11.9). Caso o versículo terminasse com estas palavras,
certamente muitos entenderiam que o sábio estaria estimulando uma conduta
desregrada, libertina, em que o divertimento e o prazer seriam a razão da vida
juvenil. O hedonismo, então, seria o estilo de vida ideal a ser seguido. Há,
porém, uma ressalva ao final do texto que sufoca toda e qualquer interpretação
liberal: “sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo” (11.9b).
1. O JUÍZO É ABRANGENTE. O
sábio Salomão afirma com todas as letras que: “por
todas essas coisas te trará Deus a juízo”. O cristão precisa
estar consciente de que o juízo de Deus é pleno, totalmente abrangente,
minucioso. Vejamos, ao menos, três áreas em que se manifestará o juízo divino:
a)
Julgamento dos Pensamentos. A Bíblia é
muita clara ao afirmar que é da mente (coração) que procedem as saídas da vida
(Pv 4.23). O próprio Jesus afirmou que do coração procedem os maus pensamentos,
mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias (Mt
15.19). Todo e qualquer ato de pecado é antecedido por um processo mental (Tg
1.14). Fica muito evidente que até os pensamentos do homem são julgados pelo
Senhor (Mt 16.7-12; Mc 2.6-12; Lc 9.46-48). O
apóstolo Paulo diz que o juízo divino é tão rigoroso que, mesmo as intenções do
cristão, serão julgadas (I Co 4.5). Portanto, o jovem cristão deve ocupar a
mente com as coisas de Deus (Sl 19.4; 119.97; Fp 4.8; Cl 3.1,2), pois o Senhor
Onisciente haverá de trazer a juízo todos os seus pensamentos;
b)
Julgamento das palavras. O jovem cristão
haverá de prestar contas também de cada uma das palavras proferidas por ele
após a regeneração. O Senhor Jesus deu tanta importância às palavras que
afirmou categoricamente serem elas critério de juízo, seja para a justificação,
seja para a condenação (Mt 12.37). O apóstolo Tiago corroborou este ensinamento
quando disse que as palavras determinam o curso da vida (Tg 3.4-6). O mesmo
apóstolo, porém, adverte que de uma mesma boca não podem proceder a bênção e a
maldição, pois o Senhor trará isso a juízo (Tg 3.9-12). Portanto, o jovem
cristão precisa ter muito cuidado com palavras ociosas (Mt 12.36), de maldição
(Ex 21.17), de falsidade (Ex 23.7), de afronta (I Sm 17.8-11) de desprezo (II
Rs 18.19-27), grosseiras (I Sm 25.10,11), imorais (Ef 5.3), mentirosas (Jo
8.44). Ele deve seguir, então, a recomendação paulina: “Não saia da vossa boca nenhuma
palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê
graça aos que a ouvem” (Ef 4.29).
c)
Julgamento das Obras. O Senhor conhece
todas as nossas obras e, com base nesse conhecimento pleno, elas serão trazidas
a juízo (Ap 2.2,9,13,19). Tanto as obras dos salvos, no Tribunal de Cristo,
quanto à dos ímpios, no Juízo Final (I Co 3.12-15; Ap 20.11-13). O salvo
deve buscar o enchimento do Espírito Santo, a fim de que o caráter de Cristo
seja gerado nele e todas as suas obras denunciem que ele é um discípulo de
Jesus (At 11.26; Gl 5.22). É preciso viver de tal modo que todas as pegadas do
Mestre sejam seguidas e que nenhum passo seja dado fora dos trilhos (I Pe
2.21). O cristão precisa ter cuidado para não ser, à semelhança de Adão,
surpreendido com a pergunta feita a Adão no Éden: “Por que fizeste isso”?
(Gn 3.13).
CONCLUSÃO
O cristão
é livre para andar livremente nos limites da vontade de Deus.
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