“Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado,
a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos
pecaram” Romanos 5.12
Podemos apresentar quatro razões bíblicas para a morte:
1. Necrológica. A
palavra nekros (no grego) quer dizer “morto” e refere-se
àquilo que não tem vida, seja um cadáver ou matéria inanimada. Essa palavra tem
na sua raiz nek o sentido de “calamidade”, “infortúnio”, e
passou a fazer parte do vocabulário médico para indicar o estado de morte de
uma pessoa, ou então, para significar o processo de morte dalguma parte do
corpo, devido a alguma doença. Do ponto de vista da Bíblia, necrológico indica
a parte física do homem, seu corpo (soma). A Carta aos Hebreus fala da separação que a
morte faz entre o corpo e a parte espiritual do homem, quando diz: “E como aos
homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso o juízo” (Hb 9.27).
Esse texto indica que há algo que sobrevive no homem após a morte, ou seja,
após a necrose do seu corpo.
2. Antropológica. Vem de antropos (no grego) que
quer dizer “homem”, para fazer diferença com os animais irracionais. E o homem
criado por Deus com a capacidade de pensar, sentir e realizar (Gn 1.26,27;
2.7). Na antropologia bíblica o corpo humano é visto como uma dádiva de Deus ao
homem e, por isso, o corpo tem a sua própria dignidade. Do ponto de vista
bíblico é dignificado pela sua razão de ser, como instrumento de serviço e
glorificação do Criador. Por isso, é o templo do Espírito de Deus (1Co 3.16;
6.19). Portanto, a razão antropológica nesse sentido refere-se ao que o homem
é, o que pensa acerca da morte, como ele a enfrenta e o que sobrevive dele
depois da morte.
3. Pneumatológica. Essa é a parte
espiritual do homem. A palavra pneuma refere-se ao espírito. Em primeiro lugar,
valorizamos o corpo físico e a sua dignidade na existência humana; em segundo,
tratamos do homem como ser racional; em terceiro lugar, preocupamo-nos em
revelar o milagre da transformação do corpo físico do crente em corpo
espiritual. Nossos corpos materiais e mortais serão ressuscitados em “soma pneumatikon”, isto é, “corpo
espiritual” (1Co 15.54). A nossa esperança é que Cristo ressuscitou primeiro e
definitivamente e, assim. Ele é o “primogênito dentre os mortos” (Cl 1.18; Ap
1.5). Ele ganhou a vitória final sobre a morte, o túmulo e o Diabo (At 2.24).
4. Escatológica. Nesse ponto
reside a preocupação com a esperança. Qual é a esperança cristã? E a
ressurreição de nossos corpos na vinda do Senhor, a transformação dos mesmos se
estivermos vivos no arrebatamento da Igreja. (ver 1Co 15.54.)
A morte não é um
fenômeno natural na vida humana. Ela é a maldição divina contra o pecado e só
Jesus foi capaz de cravar essa maldição no lenho de Sua cruz no Calvário.
Leitura para o estudo: Salmos 39.4-7;
90.4-6,10,12.
Em continuação ao estudo das últimas coisas
"Escatologia", hoje abordaremos um tema necessário para entendimento
dos eventos futuros, porém, não muito simpático à humanidade — a morte. Muitos
evitam falar sobre o assunto e até fogem para não recordar momentos tristes.
Com cuidado, e evitando que prevaleçam conceitos errôneos, vamos aprender
a verdadeira visão da morte que os crentes devem possuir.
A doutrina da morte é estudada a
partir do dilema existencial humano considerando as correntes filosóficas,
passando pela definição bíblica e os tipos de morte segundo as Sagradas
Escrituras. Esta lição objetiva mostrar que a morte significa para o crente uma
vitória, baseada na obra vicária de Cristo no Calvário.
INTRODUÇÃO
A morte é um assunto que evitamos falar e comentar.
Entretanto, o viver humano encontra em sua jornada a ameaça da morte. Nesta
lição estudaremos a questão da morte sob a perspectiva da Bíblia, pois nela, a
realidade da morte e o seu impacto na vida humana são tratados com clareza e
fé.
I. O DILEMA EXISTENCIAL HUMANO
Toda criatura humana enfrenta esse dilema. Não foi
sua escolha vir ao mundo, mas não consegue fugir à realidade do fim de sua
existência. O dilema existencial resulta da realidade da morte que tem que ser
enfrentada. Em Eclesiastes, o pregador diz: “Todos vão para um lugar; todos são
pó e todos ao pó voltarão”, Ec 3.20,21. São palavras da Bíblia e não de nenhum
materialista contemporâneo. Quanto à realidade da vida e da morte, o homem é,
dentro da criação, o único que sabe que vai morrer. Analisemos alguns sistemas
filosóficos os quais discutem esse assunto.
1. Existencialismo. Seu interesse
é, essencialmente, com as questões inevitáveis de vida e morte. Preocupa-se com
a vida, mas reconhecem a presença da morte constante na existência humana. Os
seus filósofos vêem a morte como o fim de uma viagem ou como um perpétuo acompanhante
do ser humano desde o berço até a sepultura. Para eles, a morte é um elemento
natural da vida.
Ora, essas idéias são refutadas pela Bíblia
Sagrada. A morte nada tem de natural. É algo inatural, impróprio e hostil à
natureza humana. Deus não criou o ser humano para a morte, mas ela foi
manifestada como juízo divino contra o pecado (Rm 1.32). Foi introduzida no
mundo como castigo positivo de Deus contra o pecado (Gn 2.17; 3.19; Rm 5.12,17;
Rm 6.23; 1Co 15.21; Tg 1.15).
2. Materialismo. Não admite as coisas
espirituais. Do ponto de vista dos materialistas, tudo é matéria. Entendem que
a matéria é incriada e indestrutível substância da qual todas as coisas se
compõem e à qual todas se reduzem. Afirmam ainda que, a geração e a corrupção
das coisas obedecem a uma necessidade natural, não sobrenatural, nem ao
destino, mas às leis físicas. Portanto, o sentido espiritual da morte não é
aceita pelos materialistas. O cristão verdadeiro não foge à realidade
da morte, mas a enfrenta com confiança no fato de que Cristo conquistou
para Ele a vida após a morte — a vida eterna (Jo 11.25).
3. Estoicismo. Os estóicos seguem a idéia
fatalista que ensina que a morte é algo natural e devemos admiti-la sem
temê-la, uma vez que o homem não consegue fugir do seu destino.
4. Platonismo. O filósofo grego Platão
ensinava que a matéria é má e desprezível, só o espírito é que importa. Porém,
não é assim que a Bíblia ensina. O corpo do cristão, a despeito de ser uma casa
material, temporária e provisória, é templo do Espírito Santo (1Co 3.16,17).
Somos ensinados a proteger o corpo para a manifestação do Espírito de Deus.
II. DEFINIÇÃO BÍBLICA PARA A MORTE
1. O sentido literal e metafórico da palavra morte.
a) Separação. No grego a
palavra morte é thanatos que quer dizer separação. A morte separa as
partes materiais e imateriais do ser humano. A matéria volta ao pó e a parte
imaterial separa-se e vai ao mundo dos mortos, o Sheol-Hades, onde jaz no estado
intermediário entre a morte e a ressurreição (Mt 10.28; Lc 12.4; Ec 12.7; Gn
2.7).
b) Saída ou partida. A morte física
é como a saída de um lugar para outro (Lc 9.31; 2Pe 1.14-16).
c) Cessação. Cessa a
existência da vida animal, física (Mt 2.20).
d) Rompimento. Ela rompe as
relações naturais da vida material. Não há como relacionar-se com as pessoas
depois que morrem. A ideia de comunicação com pessoas que já morreram é uma
fraude diabólica.
e) Distinção. Ela distingue
o temporal do eterno na vida humana. Toda criatura humana não pode fugir do seu
destino eterno: salvação ou perdição (Mt 10.28).
2. O sentido bíblico e doutrinário da morte.
a) A morte como o salário do
pecado (Rm 6.23). O pecado, no contexto desse
versículo, é representado pela figura de um cruel feitor de escravos que dá a
morte como pagamento. O salário requerido pelo pecado é merecidamente a morte.
Como pagamento, a morte não aniquila o pecador. A verdade que a Bíblia nos
comunica é que a morte não é a simples cessação da existência física, mas é uma
conseqüência dolorosa pela prática do pecado, seu pagamento, a sua justa
retribuição. Quando morre, o pecador está ceifando na forma de corrupção aquilo
que plantou na forma de pecado (Gl 6.7,8; 2Co 5.10). Portanto, a morte física é
o primeiro efeito externo e visível da ação do pecado (Gn 2.17; 1Co 15.21; Tg
1.15).
b) A morte é sinal e fruto do
pecado. O homem vive inevitavelmente dentro da esfera
da morte e não pode fugir da condenação. Somente quem tem a Cristo e o aceitou
está fora dessa esfera. Só em Cristo o homem consegue salvar-se do poder da
morte eterna. Tiago mostra-nos uma relação entre o pecado e a morte, quando
diz: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria
concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado;
e o pecado, sendo consumado, gera a morte”, Tg 1.14,15. O pecado, portanto,
frutifica e gera a morte.
c) A morte foi vencida por Cristo
no Calvário. A resposta única, clara, evidente e
independente de quaisquer idéias filosóficas a respeito da morte é a Palavra de
Deus revelada e pronunciada através de Cristo Jesus no Calvário (Hb 1.1). Cristo
é a última palavra e a única solução para o problema do pecado e a crueldade da
morte (Rm 5.17).
III. TIPOS DISTINTOS DE MORTE
A Bíblia fala de três tipos distintos de mortes:
física, espiritual e eterna.
1. Morte física. O texto que melhor elucida
esta morte é 2Sm 14.14, que diz: “Porque certamente morreremos e seremos como
águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais”. O que acontece com o corpo
morto quando é sepultado? Depois de alguns dias, terá se desfeito e esvaído
como águas derramadas na terra. E isso que a morte física acarreta
literalmente.
2. Morte espiritual. Este tipo tem
dois sentidos na perspectiva bíblica: negativo e positivo. No sentido negativo,
a morte pode ser identificada pela expressão bíblica “morte no pecado”. E um
estado de separação da comunhão com Deus. Significa estar debaixo do pecado,
sob o seu domínio (Ef 2.1,5). O seu efeito é presente e futuro. No presente,
refere-se a uma condição temporal de quem está separado da vida de Deus (Ef
4.18). No futuro, refere-se ao estado de eterna separação de Deus, o que
acontecerá no Juízo Final (Mt 25.46).
No sentido positivo é a morte espiritual
experimentada pelo crente em relação ao mundo. Isto é: a sua pena do pecado foi
cancelada e, agora vive livre do domínio do pecado (Rm 6.14). Quanto ao futuro,
o cristão autêntico terá a vida eterna. Ou seja: a redenção do corpo do pecado
(Ap 21.27; 22.15).
3. Morte eterna. É chamada a segunda morte,
porque a primeira é física (Ap 2.11). Identificada como punição do pecado (Rm
6.23). Também denominada castigo eterno. E a eterna separação da presença de
Deus — a impossibilidade de arrependimento e perdão (Mt 25.46). Os ímpios,
depois de julgados, receberão a punição da rejeição que fizeram à graça de Deus
e, serão lançados no Geena (Lago de Fogo) (Ap 20.14,15; Mt 5.22,29,30;
23.14,15,33). Restringe-se apenas aos ímpios (At 24.15). Esse tipo de morte tem
sido alvo de falsas teorias que rejeitam o ensino real da Bíblia.
CONCLUSÃO
A morte é a prova máxima da fé cristã, que produz
nos crentes uma consciência de vitória (1Pe 4.12,13). Os sofrimentos e aflições
dessa vida são temporais, e aperfeiçoam nossa esperança para enfrentar a morte
física, que se constitui num trampolim para a vida eterna. Ela se torna a porta
que se abre para o céu de glória. Quando um cristão morre, ele descansa, dorme
(2Ts 1.7). Ao invés de derrota, a morte significa vitória, ganho (Fp 1.21). A
Bíblia consola o cristão acerca dos mortos em Cristo quando declara que a morte
do crente “é agradável aos olhos do Senhor”, Sl 116.15. Diz também, que morrer
em Cristo é estar “presente com o Senhor”, 2Co 5.8.
Subsídio Doutrinário
As falsas teorias que rejeitam o ensino real da
Bíblia sobre a morte eterna para os ímpios:
A teoria universalista ensina que
Deus é bom demais para excluir alguém. Jesus morreu por todos, por isso, todos
serão salvos.
A teoria restauracionista ensina que
Deus, ao final de todas as coisas, restaurará todas as coisas e todos, enfim,
serão salvos.
A teoria do purgatório ensina que,
quando uma pessoa morre neste mundo, tem a oportunidade de recuperação num
período probatório(que serve de prova). Nesse período, a culpa dos
pecados cometidos poderá ser aliviada enquanto aquele pecador paga por seus
pecados, tendo, ainda, a ajuda das orações pelos mortos da parte dos amigos e
parentes.
A teoria da aniquilação, seus adeptos tomam
por base 2Ts 1.8,9. Destacam a expressão “eterna perdição” e a traduzem por
eterna extinção. A palavra “extinguir” no lugar de “aniquilar” dá uma ideia que
contraria a doutrina do castigo eterno como ensinada na Bíblia.
De fato, o sentido real da expressão é de banimento
da presença de Deus, e não de extinção, como a folha de papel se extingue no
fogo.
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